Ato noturno aposta em um tema ainda tabu no universo político
Entre desejo, poder e repressão

Bom! De maneira geral, “Ato Noturno” possui um roteiro muito válido. O filme conta a história de um político chamado Rafael, interpretado por Cirillo Luna, e de um ator de teatro chamado Matias, vivido por Gabriel Faryas. Os dois se conhecem por meio de um aplicativo e acabam se envolvendo. Contudo, Rafael precisa esconder sua sexualidade e passa a encontrar Matias às escondidas para não prejudicar sua campanha eleitoral, já que não é assumido. Além disso, ambos têm fetiche por transar em lugares públicos.
O roteiro é cheio de reviravoltas e prende o espectador até o final. Há intrigas, falsidade entre amigos, jogos de sedução, suspense, poder, assassinato e muito mais. As atuações de Cirillo Luna e de Henrique Barreira, no papel de Fábio, colega de Matias, convencem e são ótimas. Contudo, acredito que a atuação de Gabriel Faryas fique um pouco abaixo do esperado. Em alguns momentos, ela parece um tanto amadora. Ainda assim, isso não compromete o filme como um todo, pois há cenas excelentes, especialmente quando Matias está encenando no teatro. Aliás, adoro filmes que trabalham essa intertextualidade artística, mesclando cinema, TV e teatro para mostrar diferentes nuances narrativas.
As cenas de sexo também são muito boas e conferem veracidade à proposta do longa. Além disso, as locações em Porto Alegre são bem aproveitadas, e o filme possui uma ótima concepção fotográfica. O que me incomodou foram apenas os minutos finais, pois tudo caminhava de forma tão interessante que tive a sensação de que a narrativa acabou fantasiando demais, ainda que exista ali uma intenção metafórica.
Também é impossível não se lembrar de um determinado político ao assistir ao longa. De todo modo, trata-se de uma produção interessante. Confesso que algumas tramas paralelas, especialmente a questão da falsidade entre “amigos”, chamaram tanto a minha atenção quanto o conflito de um político no armário, afinal, provavelmente existem muitos casos semelhantes.
Por fim, pode-se afirmar que assumir-se gay ainda é um tabu na política, vista como um espaço conservador e predominantemente masculino. Claro que o público LGBTQIAPN+ vem ocupando cada vez mais espaços; todavia, ainda sofre forte discriminação dentro do meio político. Nesse sentido, é interessante que um filme como “Ato Noturno” dê visibilidade a essa questão.
- Ato Noturno
- Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
- Brasil
- 2025
- 117 min
- 18 anos
Veredito por dimensão
- 4.0/5.0
- 4.0/5.0
- 4.0/5.0
- 4.0/5.0
- 4.0/5.0
- 4.0/5.0

Alvaro Costa
Alvaro é doutor em História pela UNIOESTE, com doutorado-sanduíche na UNAM, no México. Formou-se em Letras Português/Espanhol, Bacharelado em História e Comunicação Social (Jornalismo) pela UEPG, em Ponta Grossa. É o editor-chefe e único autor do lançamento da Cápsula Crítica.
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