Uma poesia em forma de narrativa fílmica
The History of Sound

“The History of Sound” é um daqueles filmes para absorver em cada camada. Trata da sensibilidade daquilo que muitas vezes não percebemos ou fingimos não perceber: o som das coisas — das mais simples às mais complexas, como, por exemplo, o barulho da água saindo da torneira até uma nota musical precisa.
O som, como algo não palpável, invisível, é retratado no longa, sendo possível senti-lo na dor da perda, na felicidade momentânea do amor e do prazer e em situações da vivência humana, como na história do universo humilde do trabalho e da pobreza. Pode-se dizer também que a narrativa explora a importância dos registros históricos musicais e da pesquisa universitária para tal empreitada. Sem a pesquisa e o registro, perdemos parte da vida e da poesia humana, pois a música faz parte do nosso cotidiano e reflete sentimentos — nobres ou não — sobre aquilo que os sujeitos vivenciam.
A interpretação contida de Paul Mescal, no papel de Lionel, dá um tom fabuloso à obra que, por mais que tenha diálogos, parece querer explodir e gritar seus desejos — seja o tesão e o amor por David (interpretado por Josh O’Connor), seja a dor pela perda de seus pais ou até mesmo o vazio diante da ausência de respostas de seu amado. O olhar silencioso, emotivo e penetrante de Lionel revela muito sobre os sentimentos humanos.
Cabe destacar também a fotografia do longa, que é igualmente fabulosa. A trilha sonora é muito bem construída, transitando da música folk estadunidense ao erudito europeu, inclusive em forma de coros.
A única ressalva recai no fato de que senti falta de alguns minutos dedicados a mostrar como Lionel estudou e conseguiu sair da vida que levava no interior.
Parafraseio uma das passagens do longa: o que acontece quando deixamos escapar os sons do mundo?
- The History of Sound
- Oliver Hermanus
- Reino Unido
- 2025
- 129 min
Veredito por dimensão
- 4.0/5.0
- 5.0/5.0
- 5.0/5.0
- 5.0/5.0
- 5.0/5.0
- 4.5/5.0
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Alvaro Costa
Alvaro é doutor em História pela UNIOESTE, com doutorado-sanduíche na UNAM, no México. Formou-se em Letras Português/Espanhol, Bacharelado em História e Comunicação Social (Jornalismo) pela UEPG, em Ponta Grossa. Autor do livro E quando a ficção se torna realidade?, atua há mais de uma década na intersecção entre história, literatura, mídia e cultura. É o editor-chefe e único autor do lançamento da Cápsula Crítica.
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