Cinco livros paranaenses pra ler antes de virar 2027
Lista curatorial autoral — não os mais vendidos, não os mais premiados, os mais necessários
Toda lista é exercício de defesa de critério. Esta é a nossa: cinco livros publicados nos últimos cinco anos por autores que vivem ou cresceram no Paraná, escolhidos pelo que dizem sobre o presente brasileiro.

Toda lista é exercício de defesa de critério. A pergunta não é quais livros são "os melhores" — categoria vazia que serve apenas pra hierarquizar consumo. A pergunta é: quais livros, lidos hoje, fariam diferença na maneira como entendemos o lugar onde vivemos?
1. Beatriz, de Cristovão Tezza
Romance do curitibano Cristovão Tezza, autor de uma das obras mais consistentes da literatura paranaense viva. Beatriz acompanha uma narradora que reconstitui memória, perda e ofício de viver com uma prosa econômica que dispensa floreio. Quem chega em Tezza por aqui e quer prosseguir tem ainda O filho eterno à espera — leitura essencial e dolorosa sobre paternidade e síndrome de Down. Companhia das Letras.
2. O Vampiro de Curitiba, de Dalton Trevisan
Não dá pra falar em literatura paranaense sem Trevisan. Faleceu em 2024 aos 99 anos depois de meio século afiando o conto curtíssimo até virar lâmina. O Vampiro de Curitiba segue indispensável: pequenos retratos urbanos de violência cotidiana, desejo e mesquinhez que continuam mais atuais do que muito romance contemporâneo. Quem nunca leu, comece por aqui — sete páginas já mostram o método.
Toda lista é manifesto disfarçado. Esta também é.
3. Inescritos, de Luci Collin
A poeta e tradutora curitibana Luci Collin trabalha com uma das vozes mais singulares da literatura paranaense contemporânea, longe do circuito de prestígio nacional mas firme na produção. Inescritos reúne textos curtos que ficam entre poesia, ensaio e fragmento — bom contraste com qualquer leitura de fôlego anterior. Pra leitor que já passou pelos canônicos e quer território menos óbvio.
4. Obra recente de Andréia Carvalho Gavita
Andréia Carvalho Gavita, poeta paranaense nascida em Ponta Grossa em 1973, mantém produção poética regular e é uma das vozes a serem conhecidas pelo leitor que se interessa por literatura paranaense contemporânea fora do circuito mais óbvio. Sua obra trabalha temas do cotidiano e da experiência feminina com sensibilidade específica do interior do Paraná. Boa porta de entrada — particularmente em paralelo com a leitura de poetas mais consagrados como Helena Kolody.
5. Obra do acervo de patronos da Academia de Letras dos Campos Gerais
Esta entrada é menos sobre um livro específico e mais sobre uma pista de leitura. A Academia de Letras dos Campos Gerais, fundada em 20 de março de 1999 com sede em Ponta Grossa, reúne expoentes da literatura paranaense da região. Entre seus patronos se destacam Anita Philipovsky, Telêmaco Augusto Enéas Morosini Borba (que dá nome à cidade de Telêmaco Borba) e Faris Antônio Salomão Michaele. Vale visita à Biblioteca Pública Gralha Azul de Ponta Grossa, que mantém parte significativa desses acervos.
Há padrão claro: a lista privilegia autores que vivem ou viveram no Paraná. Quem nos lê e quiser sugerir o sexto título — que ficou de fora, que devia estar aqui — pode mandar pra alvaro@capsulacritica.com.br.

